Essa semana, 19/01/2011, teve show da banda Hora do Rush (o site deles é desatualizado, como o guitarrista frisou em vários momentos) no Jack Rock Bar, aqui em Belo Horizonte.
Apesar de ser numa quarta-feira, dia um tanto ruim pra sair à noite, fiquei curioso pra conferir, pois gosto muito de Rush e também pra ver se os caras conseguem segurar a onda de tocar as músicas de uma banda tão técnica e com fãs tão ardorosos.
Quando as luzes se acenderam o guitarrista, Luciano Augusto, começou a gritar o nome da banda e perguntou se a gente conhecia um cara chamado MacGyver. Era só a primeira das muitas piadinhas da noite e “Tom Sawyer”, maior hit do Rush, logo de cara, abrindo os trabalhos. Curiosamente o único show do Rush que já vi em que eles abrem com “Tom Sawyer” é o do dvd Rush In Rio.
A abertura é o cartão de visitas da banda, mas percebi um certo nervosismo da parte do baterista, Pedro Albanez, (que tinha a enorme responsabilidade de encarnar o heroi Neil Peart) e do baixista e vocalista, Leonardo Fox, que, por sinal, é a cara do Geddy Lee. Ele é a personificação da Maldição do Sósia, sobre a qual escreverei mais pra frente. Achei a versão meia-boca.
Na sequência eles tocaram “Limelight”, que ficou muito boa. Comecei a ficar animado e entrar no clima do show. Depois veio “Freewill”, muito bem tocada também e, no final dela, alguém lá de trás pediu “The Trees”. Fiquei surpreso pois a banda atendeu prontamente ao pedido. Sempre gosto de ir a show de banda que eu me garanto, ou seja, que eu sei que vou conhecer todas as músicas e o Rush é uma delas. Só que nessa hora eles atingiram o meu ponto fraco, que são algumas músicas progressivas-e-hippies-e-longas-e-arrastadas-demais-pro-meu-gosto. Aproveitei pra ir ao banheiro e lá encontrei dois amigos, conversei um pouco, peguei uma pizza no cone e voltei a tempo de acompanhar os 5 minutos finais da chatinha “Xanadu”. Essa brincadeira deve ter durado uns vinte minutos.
Mas também já fui chegando e pedindo “Subdivisions”, no que também fui prontamente atendido. Confesso que um dos motivos de eu ter saído de casa foi pra ouvir essa música, que é uma das minhas preferidas. Pena que o teclado estava alto demais, o que deixou o som embolado, e não pude ouvir muito bem a bateria, que é maravilhosa nessa faixa. Mas também já estava me incomodando o nervosismo do baterista, que às vezes fazia cara de pânico momentos antes de uma virada muito técnica e acabava fazendo fora do tempo. Eu achei ele um tanto desajeitado e deixou a baqueta cair duas vezes, além errar o tempo e fazer cara de choro o show inteiro. Passou a impressão de que tocar bateria é uma tarefa penosa. Não se pode dizer que ele não estava se esforçando, o que não quer dizer muita coisa, pois se sou eu sentado no banco da bateria, mesmo sem saber tocar nenhuma música, saberia me esforçar tão bem ou melhor que ele. Quer ser o Neil Peart? Se garanta, meu amigo!
Já o guitarrista é o extremo oposto dele. Relaxado e brincalhão, parecia zombar da minha cara ao tocar todas as músicas com facilidade e um sorriso no rosto. Fez várias piadinhas, algumas muito boas, como “aqui temos um nariz cover do Geddy Lee” em referência ao nariz do baixista da banda, que realmente tem o nariz igualzinho ao do frontman original do Rush. Ele toca com muita segurança e é bastante fiel ao Alex Lifeson nos timbres de guitarra. Ele é confiante até quando erra e isso tranquiliza quem espera uma apresentação mais técnica. O único porém foi um solo que ele fez no final de “Bravado”, altíssimo, agudíssimo, longuíssimo e chatíssimo.
Um fato curioso é o clima de amizade entre ele e o baixista, sempre interagindo, brincando e se comunicando no palco, o que também ocorre na banda mãe. Geddy e Alex são os velhos amigos e o Neil é o eterno novato, como podemos ver no documentário Rush Beyond the Lighted Stage (link em inglês).
O baixista e vocalista é correto no baixo e no teclado e consegue atingir os agudos do original. Desafina em algumas partes e sua voz estava um tanto baixa em algumas músicas, mas na maioria das vezes ele conseguia um timbre muito fiel ao do Geddy Lee no vocal.
O público me surpreendeu pela quantidade, pois achei que estaria bem mais vazio na hora do show deles. Belo Horizonte novamente provando que tem um bom público pra shows de rock. Foi interessante ver caras realmente fãs, acompanhando todas as músicas com atenção e cabeça balançante.
Eles ainda tocaram “The Spirit Of Radio”, “La Villa Strangiato”, “Closer To The Heart” e “Far Cry”. Fui embora no início de “2112″, que é uma música de 20 minutos e já estava bem tarde. Se fosse uma sexta ou um sábado eu certamente ficaria até o final, mas não pude. O show valeu a pena, apesar dos altos e baixos (alguns nem são culpa da banda, e sim da casa, como o som embolado em alguns momentos) e minha nota pro show é 7.